segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

EU TE DESEJO UM EXCELENTE NATAL E ANO NOVO

Um momento doce e cheio de significado para as nossas vidas.

É tempo de repensar valores, de ponderar sobre a vida e tudo que a cerca.
É momento de deixar nascer essa criança pura, inocente e cheia de esperança que mora dentro de nossos corações.

É sempre tempo de contemplar aquele menino pobre, que nasceu numa manjedoura, para nos fazer entender que o ser humano vale por aquilo que é e faz, e nunca por aquilo que possui.

Noite cristã, onde a alegria invade nossos corações trazendo a paz e a harmonia.

O Natal é um dia festivo e espero que o seu olhar possa estar voltado para uma festa maior, a festa do nascimento de Cristo dentro de seu coração.

Que neste Natal você e sua família sintam mais forte ainda o significado da palavra amor, que traga raios de luz que iluminem o seu caminho e transformem o seu coração a cada dia, fazendo que você viva sempre com muita felicidade.

Também é tempo de refazer planos, reconsiderar os equívocos e retomar o caminho para uma vida cada vez mais feliz.

Teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida, que de fato queremos ser plenamente felizes.

Que queremos viver cada dia, cada hora e cada minuto em sua plenitude, como se fosse o último.

Que queremos renovação e buscaremos os grandes milagres da vida a cada instante.
Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo.

Aproveite este ano que está chegando para realizar todos os seus sonhos!

EU DESEJO UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS!

UM NATAL DIFERENTE

Eu te desejo um Natal diferente.

Que os abraços apertados não sejam questão de data,mas de sinceridade e de transparente amor.

Que os presentes dados e recebidos não contenham obrigação, mas leveza de coração.

Que as bênçãos da meia-noite não dependam de 1 minuto, mas que venham para a vida toda.

Que a ceia não seja só de alimentos com bom tempero,mas que tenha muitas pitadas de bons pensamentos.

Que a família, por maior ou menor que seja,não apenas celebre a data com os melhores vinhos,mas que celebre também os sagrados laços de sangue.

Que a árvore não esteja predestinada a ser lançada ao lixo após as Festas, mas que seja tão bem conservada quanto as mais verdes esperanças.

Que o presépio não só represente o nascimento de Jesus, mas também o renascimento da criança amorosa e inocente que ainda vive em ti.

Eu te desejo um Natal diferente, e esse desejo vai a ti como um presente.
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Sílvia Schmidt
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EVOCAÇÕES DO NATAL

É comum os hospitais, na semana que antecede o Natal, tentar mandar para casa o maior número possível de pacientes. No entanto, alguns sempre necessitam permanecer.

Esses são atendidos pelos médicos que se oferecem como voluntários para trabalhar na véspera e dia de Natal ou que obedecem à escala pré-fixada pela instituição hospitalar.

Naquele Natal, Rachel estava um tanto chateada. Por ser solteira, fora escalada para trabalhar naqueles dias, permitindo assim que seus colegas ficassem com seus cônjuges, filhos ou pais.

No dia de Natal, vários grupos de pessoas apareceram nas enfermarias e distribuíram lembranças aos pacientes. Contudo, ao cair da noite, eles se encontravam em suas casas.

O imenso hospital ficou em silêncio. Muitos leitos vazios. As poucas lâmpadas acesas nas mesas de cabeceira pareciam ilhas de luz na escuridão.

Rachel ia de um paciente a outro verificando o soro, indagando sobre sintomas, oferecendo medicamentos para a dor ou para dormir.

O Natal é uma época de muitas lembranças e vários dos pacientes desejavam falar sobre elas. Ela ouviu, naquela noite, muitas histórias.

Tristes umas, emocionantes outras. Até que chegou ao leito de Petey. Era um homem velho, a respeito do qual ninguém tinha bem certeza da idade.

Um andarilho, um desamparado. Nada mais trazia, quando chegara ao hospital, que a muda de roupa que o vestia.

Portador de enfisema crônico, os médicos o mantinham hospitalizado, evitando que ele retornasse ao frio intenso das ruas.

Era tímido e gentil. Alegrava-se por qualquer coisa e se mostrava agradecido pelos cuidados que recebia. Ele sorriu, ao vê-la.

Estendeu a mão, abrindo a gaveta da velha mesa de cabeceira, onde estavam guardados seus tesouros: um canivete, uma escova de dentes, uma lâmina de barbear, um pente, algumas moedas e duas belas laranjas, que ganhara naquela tarde.

Ele tomou de uma delas, estendeu para Rachel:

Dona doutora, Feliz Natal.

Seus olhos demonstravam o enorme prazer que ele estava sentindo em ofertar-lhe a fruta. E, de repente, muitas lembranças acudiram à memória da médica.

Recordou de sua infância, dos Natais em que sentia essa mesma alegria em dar presentes. Algo seu. Especialmente preparado para a data, para alguém.

Tudo parecia tão distante. E tão perto. Lembrava-se de que tinha aprendido muitas coisas desde então, mas que também esquecera outras tantas.

Há muitos anos, seu avô lhe ensinara aquela mesma maneira de viver que Petey mostrava agora. Entretanto, ao longo dos seus anos de formação acadêmica, a voz de seu avô acabara sendo sufocada pelas vozes de seus familiares, de seus colegas, de seus professores.

Ela estendeu os braços e recolheu o presente, extremamente agradecida.

Feliz Natal, Petey. - disse comovida, os olhos cheios de lágrimas.

É preciso muito tempo até que nos conscientizemos de que os bens preciosos que temos para dar não foram aprendidos nos livros.

Também que a sabedoria de viver bem não é conferida aos alunos mais destacados nos estudos avançados.

Os verdadeiros professores andam por toda parte.

Basta saber colher as lições que sua sabedoria nos transmite, nos gestos desprendidos, simples, despojados.

Um gesto simples como estender a mão, sorrir, desejar Feliz Natal.

Repartir o presente recebido, num gesto espontâneo de profunda gratidão.
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Redação do Momento Espírita
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JUGO SUAVE


Em conhecida passagem do Evangelho, Jesus afirma:

Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.

O convite é tentador, pois o Mestre promete alívio para as dores humanas.



Também garante repouso para as almas, ao afirmar que seu jugo é suave e seu fardo é leve.

Em um mundo turbulento, alívio, repouso, suavidade e leveza são autênticos tesouros.

Em meio à correria da vida moderna, é possível ser rico de tudo, menos de paz.

Por vezes, as tarefas e os compromissos surgem esmagadores.

Na busca de sucesso e de bens materiais, as pessoas perdem a noção do que realmente importa.

As horas de trabalho são multiplicadas, talvez desnecessariamente.

Para comprar um carro mais novo ou uma casa maior, abre-se mão de um precioso tempo de repouso ou meditação.

A convivência familiar torna-se algo secundário.

Garante-se que os filhos tenham acesso às melhores escolas, mas se abre mão de transmitir-lhes valores.

Os jovens são instruídos, mas não educados.

Para lucrar bastante, profissionais deixam de lado a ética.

Passam a ter vergonha de si próprios, enquanto ganham muito dinheiro.

Com o objetivo de terem companhia, ainda que temporária, muitas mulheres abdicam de sua dignidade feminina.

Para parecerem modernos, jovens aceitam experimentar cigarros, bebidas e drogas.

Tudo parece valer a pena, desde que seja possível surgir aos olhos alheios como bem-sucedido.

Entretanto, a alma permanece carente de paz.

As conquistas materiais cintilam, mas os seus possuidores adoecem, desenvolvem problemas de sono e distúrbios psicológicos os mais diversos.

São ricos de coisas e de distrações, mas lamentáveis em seu desequilíbrio.

Estão conquistando o mundo, mas perdendo a si próprios.

Nesse contexto turbulento, convém recordar as palavras de Jesus.

Ele ofereceu alívio, repouso, suavidade e leveza.

São genuínos tesouros, que ninguém pode roubar.

Oscilações da Bolsa de Valores, desemprego, doenças e traições, nada consegue afetar o verdadeiro equilíbrio espiritual.

Quem adquire paz de espírito jamais a perde.

Mas é importante observar que Jesus não apenas fez o oferecimento.

Também recomendou que se aprendesse com ele, que é brando e humilde de coração.

Ou seja, é preciso seguir os exemplos do Cristo, a fim de se viver em paz.

Ele enfatizou a importância da brandura e da humildade.

Assim, para não se perder nas ilusões mundanas, importa manter-se humilde.

Igualmente convém desenvolver brandura, não se imaginar em combate feroz com os semelhantes.

Não é preciso vencer ninguém para ser feliz.

Instruir-se e trabalhar, pois isso é necessário à vida.

Mas não gastar tempo em disputas vãs ou ilusões passageiras.

Jamais admitir corromper a própria essência, mesmo diante das maiores tentações.

Havendo dúvida sobre a conduta correta, recordar a figura digna e sábia de Jesus.

Ter em mente os sublimes exemplos do Cristo é o melhor antídoto contra ilusões que apenas causam sofrimentos.

Segui-los pode não ser fácil, mas eles constituem um jugo suave, na medida em que propiciam a verdadeira paz.

Pense nisso.

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Redação do Momento Espírita
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

FERNÃO CAPELO GAIVOTA (BE, BY Neil DIAMOND)



Clip musical com o final do filme, legendado em portugues BR, apresentando a premiada musica BE, de Neil Diamond. Jonathan Livinstone Seagull movie clip song BE, by Neil Diamond
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wagnerdirene
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DETERMINISMO GENÉTICO

Sempre que uma pessoa afirma, confiantemente,
"eu sou assim...", note que ela está simplesmente
procurando uma desculpa para um comportamento
que ela própria sabe não ser o melhor.

Quando faltam argumentos e uma razão real, objetiva e
emocionalmente integrada, alguns somente repetem
o velho e "seguro" chavão: "eu sou assim..."
e continuam a fazer as coisas da mesma forma.
Isso é chamado de “crença no determinismo genético”.
Quem diz isso abdica de qualquer responsabilidade sobre si
mesmo, jogando a "culpa" na genética ou nos deuses,
como se a própria pessoa não tivesse meios de
alterar sua vida.

Existe um meio melhor...

Quem diz “eu sou assim...”, faz de conta que não
está pensando, faz de conta que não possui
liberdade de escolha, faz de conta que há algo
programado dentro dela, e que não existem
meios de alterar essa programação.
A quase totalidade das pessoas que insistem em dizer
“eu sou assim...”, têm receio de mudar e são
complacentes com elas próprias, agindo como
uma avestruz, colocando a cabeça
em um buraco no chão...

Mas nós nunca "somos" coisa alguma.

Sempre estamos.

Estamos jovens,

estamos sadios,

estamos acordados,

estamos educados,

estamos esforçados,

estamos atentos,

estamos felizes e assim por diante.

O que "está" pode ser mudado,
mas o que "é" não pode.

Há uma enorme diferença entre "ser e estar".

Quando dizemos que estamos sem dinheiro,
estamos solitários,

estamos tristes,

estamos sem imaginação,

estamos com problemas...

deixamos claro para os outros (e para nós mesmos)
que esta é uma condição transitória e que estamos
trabalhando para mudar o quadro.

Dizer: "eu estou acima do peso"
é muito diferente de dizer "eu sou gordo".

Quando usamos o verbo "ser", definimos uma condição
de vida que independe de nossa vontade.

Sou do planeta Terra: é uma condição imutável.
Estou na França: é uma condição transitória.

Escute o que você diz para os outros e para sua
própria mente. Se você disser algo começando
com a frase "eu sou assim mesmo..."
verifique imediatamente se não está somente
tentando explicar o inexplicável para seu próprio coração.

Não tente se enganar, porque, no fundo,
você vai saber que é uma afirmação falsa.

Somente quem muda, sobrevive.

Como diz William Shakespeare:
"Ser ou Não Ser?
Eis a questão".

Neste caso, é a sua questão, porque é a sua vida.
Reflita!
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Maria Antônia Barros Rosa
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VERDADEIRO LOUVOR

"Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração". •( Tiago 4.8)

Das muitas bênçãos que minha esposa e eu recebemos, uma especial são as visitas freqüentes de nossos netos.

No Natal passado, os presépios espalhados por nossa casa pareciam ter um interesse especial para os netos mais novos.

As figuras eram firmes o bastante para que as crianças pudessem brincar com elas e organizá-las como quisessem.

Katelyn, de seis anos, tinha uma idéia bem definida sobre a posição das figuras e repreendia o irmão mais novo, Joe, quando ele alterava o presépio. "Não, não!", insistiu ela. "Eles não estão louvando direito!" Sua organização nunca variava: o menino Jesus ao centro, com todas as outras figuras, incluindo os animais, amontoadas ao redor, o mais perto possível dEle.

Observando o presépio de Katelyn, vi fé e admiração diante da dádiva do Salvador e do desejo de Deus de estar próximo a nós. Isso fez com que minha fé e meu "louvor" parecessem muito distantes e formais, excessivamente tomados como certos. Quero cultivar com nosso Salvador um relacionamento tão próximo quanto aquele que vi na organização do presépio de minha neta.

: Pai celestial, abre nossos olhos e nosso coração para conhecerem a maravilha da dádiva do Teu Filho, Jesus Cristo. Que possamos caminhar mais perto de Ti como nunca caminhamos.

Em nome de Jesus.

Amém.

O que me ajuda a me sentir próximo a Deus durante o período de Natal?
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Ed Gex Williams (Kentucky, EUA)
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O MAIOR MILAGRE DO MUNDO...

Vejo que choras.

Sabe que também te escuto.

Fica em paz.

Acalma-te.

Eu te trago o alívio para teu pesar,
pois sei qual a causa ...

E a cura.

Não chores mais, estou contigo...

Tudo que se passou antes não se parece mais
do que com este tempo em que dormiste
dentro do ventre de tua mãe.

O que é passado morreu. Deixa-me partilhar contigo,
mais uma vez,
o segredo que ouviste ao nascer,
e esqueces-te.

És o meu maior milagre.
Tu és a coisa mais rara do mundo.

Tu chegaste, trazendo contigo,
como faz toda criança,
a mensagem de que eu ainda
não estava desanimado do homem.

Duas células, unidas agora em milagre.

Dei-te o poder de pensar.

Dei-te o poder de amar.

Dei-te o poder de querer.

Dei-te o poder de rir.

Dei-te o poder de imaginar.

Dei-te o poder de criar.

Dei-te o poder de planejar.

Dei-te o poder de falar.

Dei-te o poder de orar.

Meu orgulho em ti não conheceu limites. Usa com sabedoria
o teu poder de escolha.

Escolhe amar...em vez de odiar.

Escolhe rir...em vez de chorar.

Escolhe criar...em vez de destruir.

Escolhe perseverar...em vez de desistir.

Escolhe louvar...em vez de difamar.

Escolhe curar...em vez de ferir.

Escolhe dar...em vez de roubar.

Escolhe agir.em vez de lamentar.

Escolhe crescer...em vez de apodrecer.

Escolhe orar...em vez de amaldiçoar.

Escolhe viver...em vez de morrer.

Desfruta este dia, hoje...
e amanhã, amanhã.

Executaste o maior milagre do mundo.

Voltaste de uma morte viva.

Não mais sentirás autocomiseração,
e cada novo dia será
um desafio e uma alegria.

Tu renasceste...mas,
exatamente como antes,
podes escolher o fracasso
e o desalento,
ou o êxito e a felicidade.

A escolha é tua.

A escolha é exclusivamente tua.

Eu só posso observar como antes...

com satisfação...
ou pesar.

Lembra-te, então, das quatro leis da felicidade e êxito.

- Conta tuas bênçãos.

- Proclama tua raridade.

- Anda mais uma milha.

- Usa sabiamente
o teu poder de escolha.

E mais uma, para completar
as quatro outras.

Faze todas as coisas com amor...

amor por ti próprio,
amor por todos os outros,
amor por mim.

Enxuga tuas lágrimas.

Estende a mão, apanha a minha,
põe-te ereto.

Neste dia, foste notificado:

TU ÉS
O MAIOR MILAGRE DO MUNDO.
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OG MANDINO
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UMA NOITE DE MILAGRES

"Há esperança para o teu futuro, diz o SENHOR." .( Jeremias 31.17)

E se o governo decidisse que todos os adultos teriam de voltar às suas cidades natais para pagar impostos?

Na melhor das hipóteses, diríamos que seria algo irracional. Da mesma forma, tenho certeza de que Maria e José reclamaram durante sua viagem a Belém.

A estrada era difícil; eles estavam cansados; tinham deixado em Nazaré tudo que lhes era familiar. O futuro era incerto, eles eram pobres e sem experiência no casamento e na paternidade.

Onde ficariam em Belém?

Quanto tempo teriam de ficar lá?

Cada passo em direção ao futuro provocava ansiedade.

Porém, boas notícias viriam. Deus estava agindo silenciosamente por meio deles para redimir o mundo inteiro. Hoje, nós sabemos disso; eles, porém, até então, não sabiam.

Tiveram de confiar.

Também há boas notícias para nós. A maioria das pessoas não gosta das mudanças, sejam elas grandes ou pequenas. Mas, em meio à mudança e ao caos, Deus está agindo para o nosso crescimento e vida plena, para nós como indivíduos, como famílias, e como raça humana como um todo. Deus pede de nós apenas uma coisa: confiança!

: Deus de todos os milagres, ajuda-nos a confiar em Ti quando a vida for incerta; abre nossos olhos para que vejamos a Tua redenção se manifestando. Graças por nos permitires fazer parte dela. Em nome de Jesus. Amém.

Olhe à sua volta e veja as obras de Deus.
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Bobbie Maltas (Texas, EUA)
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"Jamais se desespere em meio as sombrias aflições de sua
vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e
fecunda." (Provérbio Chinês)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

JESUS




Você já parou para pensar, algum dia, como era o homem Jesus?

Se nos inspirarmos nos Evangelhos podemos esboçar Sua aparência física e espiritual.

Verdadeiramente, Sua aparência física não está descrita nos Evangelhos, mas Ele sempre se mostra simpático e atraente.

Causava profunda impressão na multidão, quando Se apresentava em público.

Tinha um corpo sadio, resistente ao calor e ao frio, à fome e à sede, aos cansaços das longas jornadas a pé, pelas trilhas das montanhas da Palestina.

Também ao cansaço por Sua atividade ininterrupta junto ao povo, que não Lhe deixava tempo nem para se alimentar.

Embora nascido em uma estrebaria, oculto aos olhos dos grandes do mundo, teve Seu nascimento anunciado aos pequenos, que traziam os corações preparados para O receber.
A orquestra dos céus se fez presente e a ópera dos mensageiros celestiais O anunciou a quem tivesse ouvidos de ouvir.

Antes de iniciar o Seu messianato, preparou-Lhe os caminhos um homem rude, vestido com uma pele de animal e que a muitos, com certeza, deve ter parecido esquisito ou perturbado.

Principalmente porque, num momento em que o povo aguardava um libertador que fosse maior que o próprio Moisés, ele falava de alguém que iria ungir as almas com fogo.

Enquanto todos aguardavam um guerreiro, que surgisse com seu exército numeroso para subjugar o dominador romano, João, o Batista, lhes falava do Cordeiro de Deus. E cordeiro sempre foi símbolo de mansuetude, de delicadeza.

Quando Ele se fez presente, às margens do Jordão, a sensibilidade psíquica de João O percebe e O apresenta ao mundo.

Esse ser tão especial tomou de um grão de mostarda e o fez símbolo da fé que move montanhas. Utilizou-Se da água pura, jorrada das fontes cristalinas, para falar da água que sacia a sede para todo o sempre.

Tomou do pão e o multiplicou, simbolizando a doação da fraternidade que atende o irmão onde esteja e com ele reparte do pouco que tem.

Falou de tesouros ocultos e de moedas perdidas. Recordou das profissões menos lembradas e as utilizou como exemplo, Ele mesmo denominando-Se o Bom Pastor, que conhece as Suas ovelhas.

Ninguém jamais O superou na poesia, na profundidade do ensino, na doce entonação da voz, cantando o poema das bem-aventuranças, no palco sublime da natureza.

Simples, mostrava Sua sabedoria em cada detalhe, exemplificando que os grandes não necessitam de ninguém que os adjetive, senão sua própria condição.

Conviveu com os pobres, com os deserdados, com os considerados párias da sociedade, tanto quanto visitou e privou da amizade de senhores amoedados e de poder.

Jesus, ontem, hoje e sempre prossegue exemplo para o ser humano que caminha no rumo da perfeição.


Embora visando sempre as coisas do Espírito, Jesus jamais descurou das coisas pequenas e mínimas da Terra.

É assim que Seu coração se alegra pelas flores do campo, as quais toma para exemplo em Sua fala, da mesma forma que as pequeninas aves do céu.

O Seu amor se dirigia sobretudo aos pobres, aos humildes, aos oprimidos, aos desprezados e aos párias.

E, justamente por conhecer a fraqueza e a malícia dos homens, sempre perdoa, enquanto Ele mesmo alimenta a Sua vida pelo cumprimento da vontade e do agrado de Deus, o Pai.
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Redação do Momento Espírita
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GRATIDÃO

A idéia mais comum que temos a respeito da gratidão é a daquele sentimento que devemos nutrir por quem fez algo por nós, nos presenteou ou, de alguma forma, tornou nossa vida mais agradável.

O conceito de gratidão vem, portanto, na maioria das vezes, associado ao de caridade. Entretanto, ele se relaciona a algo muito importante, que pode fazer toda a diferença em nossa vida.

É a capacidade de enxergar em cada acontecimento o que ele carrega de bom. Mesmo que estejamos vivenciando momentos difíceis, onde nossas necessidades materiais ou afetivas não estejam sendo supridas, sempre poderemos, se estivermos dispostos, encontrar motivos para agradecer.

Esta atitude determina se nossa vida será um eterno atrair de graças e bênçãos, ou uma constante comiseração, na qual desempenhamos o papel de vitimas revoltadas contra as armadilhas do destino.

Cultivar a gratidão é uma forma de aceitar cada desafio como uma oportunidade de evolução e crescimento interior. Se formos capazes de enxergar a realidade com novos olhos, recebendo o que vida nos reserva sem mágoa ou inconformismo, as dificuldades decerto se resolverão mais rapidamente.

As reclamações e lamúrias constantes afastam de nós qualquer possibilidade de reencontro com a paz. O importante é seguir em frente, com a confiança de que o melhor se apresentará no próximo instante. Afinal, se a vida é feita de contrastes, a um momento ruim só poderá se seguir um novo começo, pleno de conquistas e alegria.
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Elisabeth Cavalcante
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CILADAS

"Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo". •( Efésios 6.11)

Logo de manhã, indo para o trabalho, nas proximidades do Parque do Índio, local conhecido pela grande variedade de aves que ali habitam, uma delas, subitamente, arremessou-se em direção ao meu carro.

Assustei-me e, num gesto de defesa, protegi meus olhos com os braços. Ouvi apenas o som do choque da ave contra o pára-brisa do veículo; ela, no entanto, aparentemente nada sofreu e prosseguiu no seu vôo.

Em nossas tarefas diárias, por vezes nos esquecemos de que temos uma proteção muito mais eficaz que um frágil pára-brisa, preparada para nos livrar de todo e qualquer ataque que possa estar à nossa espreita nas ruas, no trânsito ou no trabalho.

Essa proteção está permanentemente a postos para nos dar cobertura e livramento, orientando-nos em busca dos melhores caminhos.

Refiro-me ao Salvador e Protetor Cristo Jesus.

Invoque-O sempre: ao levantar-se, ao sair de casa, ao dirigir, no início de seu trabalho; enfim, em qualquer lugar e em qualquer situação.

Você verá a diferença que isso fará em sua vida.

: Obrigado, Senhor, pela proteção que a cada dia nos concedes, livrando-nos das armadilhas da vida.

Em nome de Jesus.

Amém.
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Deraldo Mancini (Umuarama, PR, Brasil)
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

BASES PARA A REFORMA SOCIAL

Vivemos a era do desenvolvimento científico e dos avanços tecnológicos.

No entanto, embora a satisfação e o conforto que os avanços proporcionam para a vida material, não conseguem preencher o vazio da alma.

O homem aspira qualquer coisa de superior, sonha com melhores instituições, deseja a vida, a felicidade, a igualdade, a justiça para todos.

Mas, como atingir tudo isso com os vícios da sociedade e, sobretudo, com o egoísmo imperando?

O homem sente a necessidade do bem para ser feliz e compreende que só o bem pode lhe dar a felicidade pela qual aspira.

Mas, como ocorrerá isso?

Ora, se o reino do bem é incompatível com o egoísmo, é preciso que o egoísmo seja destruído.

Mas, o que pode destruí-lo? A predominância do sentimento do amor, que leva os homens a se tratarem como irmãos e não como inimigos.

A caridade é a base, a pedra angular de todo edifício social. Sem ela o homem construirá sobre a areia.

Assim sendo, se faz urgente que os esforços e, sobretudo os exemplos de todos os homens de bem, a difundam.

Mas como exemplificar o bem num meio corrompido pela maldade, a violência, a corrupção?

Está nos desígnios de Deus que, por seus próprios excessos, as más paixões se destruam. O excesso de um mal é sempre o sinal de que chega ao seu fim.

No entanto, sem a caridade o homem constrói sobre a areia. Um exemplo torna isso compreensível.

Alguns homens bem intencionados, tocados pelos sofrimentos de uma parte de seus semelhantes, supuseram encontrar o remédio para o mal em certas doutrinas de reforma social.

Vida comunitária, por ser a menos custosa; comunidade de bens para que todos tenham a sua parte; nada de riquezas, mas, também, nada de miséria.

Tudo isso é muito sedutor para aquele que, não tendo nada, vê, antecipadamente, a bolsa do rico passar ao fundo comunitário sem cogitar que a totalidade das riquezas, postas em comum, criaria uma miséria geral ao invés de uma miséria parcial.

Que a igualdade, estabelecida hoje, seria rompida amanhã pela mobilidade da população e a diferença entre aptidões.

Que a igualdade permanente de bens supõe a igualdade de capacidades e de trabalho. Mas a questão não é examinar o lado positivo e o negativo desses sistemas.

O fato é que os autores, fundadores ou promotores de todos esses sistemas, sem exceção, não visaram senão a organização da vida material de uma maneira proveitosa a todos.

A finalidade é louvável, indiscutivelmente. Resta saber se, nesse edifício, não falta a base que, só ela, poderia consolidá-lo, admitindo-se que fosse praticável.

A vida comunitária é a abnegação mais completa da personalidade.

Ora, o móvel da abnegação e do devotamento é a caridade, isto é, o amor ao próximo.

Um sistema que, por sua natureza, requer para sua estabilidade virtudes morais no mais supremo grau, haveria que ter seu ponto de partida no elemento espiritual.

Pois muito bem, ele não o leva absolutamente em conta, já que o lado material é a sua finalidade exclusiva.

Isso quer dizer que são enfeitadas com o nome da fraternidade, mas a fraternidade, assim como a caridade, não se impõe nem se decreta, é algo que existe no coração e não será um sistema que a fará nascer.

Ao mesmo tempo em que isto ocorre, o defeito antagônico à fraternidade arruinará o sistema e o fará cair na anarquia, já que cada pessoa quererá tirar para si a melhor parte.

A experiência aí está, diante de nossos olhos, para provar que eles não extinguem nem as ambições nem a cobiça.

Os homens podem fundar colônias sob o regime da fraternidade tentando fugir ao egoísmo que os esmaga, mas o egoísmo seguirá com eles como vermes roedores.

E lá, onde se acham, haverá exploradores e explorados, se lhes falta a caridade.

Por todas essas razões é que nunca haverá reforma social que se sustente em sistemas que não levem em conta o elemento espiritual.

É incontestável que antes de fazer a coisa para os homens, é preciso formar os homens para a coisa, como se formam obreiros, antes de lhes confiar um trabalho.

Pensemos nisso!
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REDAÇÃO DO MOMENTO ESPÍRITA
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O AMOR MAIOR DO MUNDO

Ah, eu tenho o maior amor do mundo! E isso não é privilégio meu, é de cada um de nós.

O maior amor do mundo é aquele que faz nosso coração vibrar e até chorar de vez em quando!

Ele é extraordinariamente único e maravilhoso e transforma qualquer dia chuvoso e triste na mais linda noite enluarada. Ah!... e com as estrelas mais brilhantes do universo!

O amor maior do mundo nos deixa assim com alma de criança, jeito de adolescente que acaba de descobrir a vida ou de adulto que perdeu um pouco do juízo...

Ele escancara as portas do coração e nos deixa à mercê de tudo. É tão grande que chega a doer, que chega a tirar o sono ou a razão. Tão alegre que devolve o riso.

O amor maior do mundo é tão grande que chega a ser incomparável, tão único que chega a ser individual.

É aquele que dura o bastante para ser lembrado para o resto da vida, mesmo quando não mais houver aquele "quê" que fez vibrar cada uma das fibras do nosso coração...
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LETÍCIA THOMPSON
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FAZEI-O VÓS TAMBÉM

"Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas. "• (Mateus 7.12)

Eu estava com pressa, tinha tempo apenas para atravessar a cidade para uma reunião. Ao sair do estacionamento, vi um carro estacionado com os faróis ligados.

Não tenho tempo para parar, pensei. Que chato, até o fim do dia a bateria do carro terá acabado.

Então, me lembrei da passagem em Mateus 7.12.

A princípio, não dei ouvidos. O que eu poderia fazer? A porta do carro provavelmente estava trancada. Eu não poderia desligar os faróis. Além disso, se eu parasse, chegaria atrasado à reunião.

As palavras de Jesus continuaram a me instigar: "Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles." Seria eu realmente um seguidor de Cristo? Se fosse, meus valores e ações deveriam refletir meu compromisso. Eu gostaria que alguém me ajudasse se tivesse deixado acesos os faróis de meu carro?

Claro que sim.

Dei meia-volta e entrei de novo no estacionamento. A porta do carro estava destrancada, então apaguei os faróis.

O dono daquele carro provavelmente nunca soube que alguém o ajudou ou mesmo que tivesse precisado de ajuda.

Agradeci a Deus por enviar à minha vida pessoas que me ajudam mesmo quando não sei que preciso. Esse simples incidente me transformou, mostrando-me que devo estar sempre preparado para colocar minha fé cristã em ação quando vejo alguém em necessidade.

: Obrigado, Senhor, pelas pessoas que me ajudam.

Que eu possa seguir esse exemplo. Em nome de Jesus. Amém.

Tenho tratado as pessoas do modo como quero ser tratado?
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Alan C. Elliott (Texas, EUA)
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

AS TRÊS RESPOSTAS


Certa vez um imperador querendo satisfação no seu reinado, buscou a resposta para as seguintes perguntas:


Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?

Quais as pessoas mais importantes com quem trabalhar?

Qual a coisa mais importante a ser feita?

O imperador publicou uma declaração, dizendo dar um alto prêmio àquele que fosse capaz de responder as perguntas. Inúmeras pessoas se dirigiam ao palácio oferecendo diferentes respostas.

Em resposta à primeira pergunta, alguém aconselhou o imperador a fazer um planejamento completo, dedicando todas as horas, dias, meses e ano a certas tarefas constantes da programação elaborada e observá-lo ao pé da letra. Só assim teria possibilidade de fazer cada coisa no tempo certo.

Uma segunda pessoa respondeu que seria planejar com antecedência, que deveria deixar todo e qualquer divertimento vão de lado e permanecer atento a tudo, a fim de saber o que fazer na hora certa.

Uma terceira pessoa disse que o imperador jamais poderia, por si próprio, ter a previsão e competência necessárias para decidir quando fazer cada coisa, e que o que ele realmente precisava era constituir um conselho de sábios e agir de acordo com que fosse determinado por estes.

Uma quarta, enfim, disse que certos assuntos requeriam providências imediatas, não podendo assim esperar por decisão de conselho, mas se o imperador quisesse saber dos acontecimentos com antecedência deveria consultar mágicos e adivinhos.

As respostas à segunda pergunta também não foram satisfatórias. Uma pessoa disse que o imperador devia depositar toda sua confiança nos administradores, outra, nos padres e monges, outra nos médicos, e, outras ainda, nos guerreiros.

A terceira pergunta trouxe uma variedade similar de respostas. Alguns disseram que a coisa mais importante a fazer era a ciência. Outros falaram em religião. Outros ainda achavam que a coisa era a arte, outros o potencial bélico.

Como nenhuma das respostas satisfez ao imperador, nenhum prêmio foi concedido.

Após refletir por várias noites, o imperador decidiu sair à procura de um eremita que vivia na montanha, e que diziam ser um homem iluminado. Sabia-se que ele jamais deixara a montanha e não recebia ricos nem poderosos, apenas os pobres. Ainda assim, o imperador decidiu ir ao seu encontro para fazer-lhe as três perguntas. disfarçado de camponês. O imperador ordenou aos seus criados que o esperassem ao pé da montanha enquanto ele subiria sozinho.

Ao chegar ao lugar em que vivia o eremita, o imperador viu-o lavrando a terra da horta em frente a sua pequena cabana. Ao avistar o forasteiro, o eremita acenou-lhe com a cabeça, continuando a capinar. O trabalho era bastante duro para um homem daquela idade, toda vez que enterrava a enxada na terra, para revolvê-la, um profundo suspiro acompanhava seu movimento.

Acercando-se dele o imperador falou: "Vim até aqui para pedir sua ajuda. Quero que responda três perguntas:

Qual o tempo mais oportuno para se fazer cada coisa?

Qual as pessoas mais importantes com quem trabalhar?

Qual a coisa mais importante a ser feita?"

O eremita ouviu-o atentamente mas não respondeu. Deu uma palmadinha amistosa no ombro do forasteiro e continuou seu trabalho. O imperador então disse: " Você deve estar cansado, deixe-me dar uma mão no seu trabalho". Agradecendo, o eremita passou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar.

Depois de ter cavado dois canteiros, o imperador parou e, voltando-se para o eremita, repetiu suas três perguntas. Ao invés de responder, o eremita levantou-se e apontando para a enxada disse: "Por que não descansa agora? Eu posso retomar o meu trabalho de novo".

Mas o imperador não lhe passou a enxada e continuou a cavar. Assim se passaram as horas, até que o sol começou a se esconder atrás da montanha. O imperador colocou a enxada de lado e falou ao eremita: 'Eu vim até aqui para ver se você seria capaz de responder minhas perguntas. Mas se você não puder respondê-las, por favor, me diga, para assim eu voltar para casa".

Levantando a cabeça, o eremita perguntou: "Está ouvindo os passos de alguém correndo ali adiante?"

O imperador voltou a cabeça e, de repente, a frente de ambos, surgiu de dentro do mato um homem com longa barba branca. Ofegante, o homem tentava cobrir com as mãos o sangue que escorria do ferimento no estômago, avançando em direção ao imperador, antes de tombar ao chão, inconsciente. Abrindo a camisa do homem o imperador e o eremita viram que ele havia recebido um corte profundo.

O imperador limpou a ferida, usando sua própria camisa para atá-la, mas o sangue empapou-a inteira depois de poucos minutos. O imperador então enxaguou a camisa, enfaixando a ferida pela segunda vez, assim continuando, até parar de sangrar.

Ao recobrar os sentidos, o homem pediu água. O imperador foi até o rio e trouxe-lhe uma cumbuca de água fresca. Nesse meio tempo a noite já havia descido e o frio se fazia sentir. O eremita ajudou o imperador a carregar o homem até a cabana onde o deitaram sobre a cama. O homem fechou os olhos e adormeceu.

Esgotado por ter passado o dia escalando a montanha e capinado a terra, o imperador encostou-se contra a porta de entrada e adormeceu. Quando despertou, o dia já estava claro. Por um momento, não se lembrava onde estava e para que tinha ido até ali. Esfregou os olhos e viu o homem ferido que, deitado, também olhava confuso ao redor.

Ao ver o imperador, o homem fixou-o, murmurando com voz fraca:

"Perdoe-me, por favor".

"O que fez você para que eu o perdoasse?" respondeu o imperador.

"Vossa Majestade não me conhece, mas eu o conheço. Eu era seu inimigo declarado e tinha jurado me vingar por meu irmão ter sido morto na guerra e por minhas propriedades terem sido confiscadas. Quando soube que V.M. vinha sozinho até aqui, resolvi surpreendê-lo no seu caminho de volta, e matá-lo.

Como não consegui vê-lo após ter esperado por horas a fio, escondido na mata, decidi sair a sua procura. Mas ao invés de encontrar V.M. dei com seus criados que me reconheceram e me feriram. Felizmente consegui escapar e correr até aqui. Se eu não o tivesse encontrado, estaria certamente morto agora. Eu tencionava matá-lo e V.M. salvou a minha vida. Não tenho palavras para expressar o quanto estou envergonhado e agradecido. Se eu conseguir me recuperar, juro ser seu servo pelo resto de minha vida e o mesmo ordenarei aos meus filhos e netos. Por favor, dê-me o seu perdão".

O imperador sentiu uma extraordinária satisfação por ver que havia se reconciliado com um ex-inimigo, tão facilmente. não só lhe perdoou como também prometeu devolver-lhe todas as propriedades e mandar seu próprio médico e criados tratarem-no até que se recuperasse totalmente.

Depois de ordenar aos criados que acompanhassem o homem até o seu lar, o imperador voltou a ver o eremita. Queria, antes de retornar ao palácio, repetir as perguntas, uma última vez. Encontrou o eremita agachado, semeando a terra que haviam preparado na véspera.

Este, após ouvir novamente as perguntas do imperador, disse calmamente: "Mas suas perguntas já foram respondidas".

"Como assim?" indagou o imperador intrigado.

"Ontem, se V.M. não se tivesse compadecido de mim e me ajudado a cavar a terra, teria sido assassinado por aquele homem ao voltar para casa.

Portanto, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve cavando os canteiros, a pessoa mais importante fui eu, e a coisa mais importante a fazer foi me ajudar.

Mais tarde, quando o homem ferido apareceu, o tempo mais oportuno foi o tempo em que esteve tratando de seu ferimento, pois sem seu socorro ele teria morrido e V.M. teria perdido a chance de reconciliar-se com ele.

Da mesma forma, ele foi a pessoa mais importante, e a coisa mais importante foi cuidar do seu ferimento.

Lembre-se de que só existe um tempo importante e esse tempo é o agora. O presente é o único tempo sobre o qual temos domínio.
A pessoa mais importante é o próximo, aquele que está a sua frente.

E a coisa mais importante é fazer essa pessoa feliz".

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TOSLTOY
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A BRANDURA


"Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra". (Mateus, 5:4)

Por esta e outras máximas, Jesus faz da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência, uma lei.

Condena, por conseguinte, a violência, a cólera e até toda expressão descortês que alguém possa usar para com seus semelhantes.

Podemos perceber, dessa forma, que os ensinos de Jesus não são bem compreendidos por nós e, menos ainda, vivenciados.

Prova disso é o nosso comportamento diário, diante de situações e pessoas.

Um dia desses, transitávamos por uma rua da nossa cidade e paramos no sinal fechado.

Observamos no veículo ao lado um adesivo com a seguinte citação evangélica:

"Já não sou eu quem vive, mas é Cristo que vive em mim".

De fato a frase chamou-nos a atenção pela beleza da idéia que contém, mas infelizmente não retratava a realidade.

Ao aproximar-se um desses garotos que entregam panfletos de propaganda nas esquinas, a senhora que dirigia o veículo, o tratou com aspereza.

Gesticulando raivosa espantou o menino, que afastou-se um tanto desorientado.

É muito comum percebermos esse tipo de situação, pois Jesus tem sido muito divulgado ultimamente, mas pouco vivido.

Para que o Cristo possa de fato viver em nós, é necessário que nos esvaziemos um pouco do egoísmo.

Enquanto estivermos cheios de nós mesmos, certamente não haverá lugar para que o ensino dele habite em nossa intimidade.

É muito fácil viver os ensinamentos de Jesus dentro dos templos religiosos que freqüentamos, onde a situação e as pessoas nos favorecem.

Quando tudo está calmo e todos se comportam com serenidade, é fácil ser brandos e pacíficos.

Todavia, os ensinos do Mestre de Nazaré devem ser vivenciados 24 horas por dia. É verdade que algumas coisas não são bem como gostaríamos que fossem.

Não nos agrada encher o veículo de papéis de propaganda, mas será preciso agredir com palavras aqueles que os entregam?

Agindo assim, deixamos de lado outro ensino do Cristo:

"Fazer ao próximo o que gostaríamos que ele nos fizesse".

É importante, antes de agirmos com rudeza, colocarmo-nos no lugar do outro e nos perguntarmos como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos em seu lugar.

Se fizermos isso, com toda certeza não nos equivocaremos mais, e por conseguinte estaremos agindo como verdadeiros cristãos.

Você sabia?

Você sabia que os mundos também evoluem e tornam-se cada vez melhores?

É por isso que Jesus afirmou que são bem-aventurados os brandos porque possuirão a Terra.

A Terra, que é um planeta de expiações e provas passará a mundo de regeneração e albergará os espíritos que já se melhoraram a ponto de merecê-la.

Os que ainda persistirem no mal reencarnarão em outros planetas, de conformidade com sua evolução.

É assim que se expressa a justiça divina. A ninguém desampara, mas também a ninguém privilegia, todos temos as mesmas chances, basta que saibamos aproveitá-las.
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EQUIPE DE REDAÇÃO DO MOMENTO ESPÍRITA
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EVIDÊNCIAS

"A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. "•( João 1.4)

Alguma vez você já visitou o setor de achados e perdidos de um terminal de ônibus ou trem? Fico impressionado com a quantidade, tamanho e variedade dos objetos deixados para trás pelos passageiros. Sinto-me tentado a perguntar: "Como pôde alguém esquecer isto?"

Você já deixou algo para trás? Eu me lembro de ter esquecido uma câmera em um ônibus de Londres(Inglaterra) e, para minha alegria, recuperá-la dois dias depois.

Todos os dias, nós deixamos para trás sentimentos e memórias que têm um efeito poderoso sobre aqueles que os "encontram". Talvez deixemos alegrias, idéias e pensamentos positivos, bondade e amor. Ou talvez deixemos amargura, ciúme, infelicidade, ódio e conflito.

Nosso Senhor deixou um maravilhoso legado: o dom da graça de Deus, que traz alegria a nossas vidas e propósito aos nossos dias na terra. João 1.16* nos lembra de que todos nós nos beneficiamos das ricas bênçãos que Jesus trouxe por meio de Seus ensinamentos, morte e ressurreição.

Nosso desafio é continuar a Sua obra, deixando evidências de Sua presença em nossas vidas. Quando o fazemos, enriquecemos as vidas das pessoas que nos cercam.

: Concede-nos compreensão, ó Deus, da influência do bem e do mal em nossas vidas. Que Tua luz de amor brilhe por meio de nossas vidas para iluminar o caminho dos outros.

Em nome de Jesus. Amém.

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WILLIAM DAVID WILLIS (NOVA GALES DO SUL, AUSTRÁLIA)
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

AOS QUE ANDAM SÓ...


Triste mesmo é ver que uma pessoa não conta
com ninguém a não ser ela própria,
ela tem muitos conhecidos,
é até famosa entre os "amigos",
mas na hora da dor,
na hora do sofrimento interior,
não tem com quem contar.

Muito se tem falado sobre espiritualidade,
sobre crenças e orações,
nunca se viu tantos templos para o culto ao divino,
Nunca foram tão grandes e luxuosos,
e jamais se vendeu tantos livros que falam sobre religiões,
mas, o homem continua só,
solitária e desgraçadamente só.

Os hospitais estão cheios de pessoas com doenças desconhecidas,
aparelhos sofisticados não identificam os germes espirituais,
sondas não enxergam "sombras", dinheiro não cura depressão,
consumismo não alivia o peso da alma vazia...

Nunca precisamos tanto de Deus como agora,
mas os homens continuam buscando o Messias com a espada,
justiceiro que venha fazer tudo por eles, que pague suas contas,
que cure suas doenças provocadas pela incoerência,
que apaguem seus vícios, que resolva tudo, sem esforço.

Jesus continua sendo simples, e seu recado tão direto,
tão fácil de compreender que continua sendo incompreendido e ignorado,
porque demanda esforço pessoal, renúncia aos prazeres mais carnais,
força de vontade para superar os próprios erros e vícios.

Determinação e resignação diante de certas dores,
e, sobretudo, ter fé na providência divina,
Que tudo tem seu tempo debaixo do céu quase sempre azul.

Enquanto podes, perdoa o teu irmão que está junto contigo,
livra-te do que já sabes que não agrada a Deus, nem a ti mesmo,
liberta-te dos sentimentos mesquinhos do querer cada vez mais, e sobretudo, esforça-te para aprender a amar com qualidade,
Sem distinção, prestando atenção no próximo, que muitas vezes,
é o que se reflete no teu espelho do banheiro pela manhã.
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PAULO ROBERTO GAEFKE
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PUNIR E EDUCAR

Quando o telefone tocou Santiago não poderia imaginar a notícia que lhe seria dada.

"Senhor Santiago?" - perguntou uma voz severa.

"Sim." - respondeu apreensivo.

"Sou o delegado Lima.

Seu filho Fábio foi preso em flagrante, minutos atrás, quando furtava um CD de uma loja em um Shopping." Embora o delegado continuasse falando, nada mais foi registrado por Santiago.

O choque da notícia atingiu-o como um violento soco.

Ficou calado, segurando o telefone mesmo depois do término da ligação.

Não podia crer naquilo.

"Por quê?" - perguntava a si mesmo.

Enquanto dirigia-se para a delegacia onde estava detido o filho, pensava nos sacrifícios que fizera ao longo dos anos para oferecer à família conforto e bem-estar.

Longas e extenuantes jornadas de trabalho.

Anos e anos sem férias.

Economias e empréstimos bancários para garantir aos filhos tudo que lhes era essencial e necessário para crescerem fortes e felizes.

Não podia lhes dar tudo o que queriam, mas fazia o possível para oferecer-lhes tudo o que precisavam.

Priorizava a saúde e a educação dos pequenos.

Tratava-os com amor e com atenção, mesmo quando chegava tarde do trabalho e os encontrava às turras e fazendo manhas.

Sabia que não era um pai perfeito.

Reconhecia em si mesmo defeitos e vícios, mas não conseguia encontrar justificativa para a atitude do filho.

Por que Fábio teria feito aquilo?

Sentia-se mortificado de vergonha.

Seu filho, um ladrão!

Onde teriam ido parar os ensinamentos e os valores que acreditara ter incutido na cabeça daquele menino?

A dor inicial foi cedendo lugar à ira, e quando Santiago chegou à delegacia e foi levado à presença do filho não se conteve.

Sem dizer nenhuma palavra esbofeteou a face do rapaz na frente dos policiais que ali estavam.

Fábio não reagiu, nem disse nada.

Lágrimas escorreram pelo seu rosto.

Depois dos procedimentos burocráticos inevitáveis, o rapaz foi liberado e eles partiram silenciosos para casa.

Durante o trajeto nada foi dito.

Na realidade, Santiago estava arrependido pela sua reação brutal, mas não conseguia encontrar uma forma de contornar a situação.

Fábio, por sua vez, estava envergonhado e sentia-se a última das criaturas.

Acreditava não ser merecedor nem mesmo do perdão do pai pelo seu gesto impensado.

Quando chegou em casa, Fábio trancou-se no quarto.

Santiago largou seu corpo no sofá, pesadamente.

Levou alguns instantes para dar-se conta da urgente necessidade de conversar com o filho.

Tomado por um impulso, correu até o quarto de Fábio e, como ele não respondia aos seus chamados, arrombou a porta.

Graças à providência divina, chegou a tempo de evitar uma tragédia ainda maior.

A severa punição que infligira publicamente ao filho, e que agora atormentava a sua própria consciência, estimulara o desequilibrado rapaz a buscar a fuga da vida pelas vias equivocadas do suicídio.

Jamais puna quando estiver irado.

Nos momentos de raiva somos capazes de ferir até mesmo as pessoas que amamos.

A melhor forma de educar é fazer com que crianças e jovens repensem suas atitudes e aprendam com os próprios erros.
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EQUIPE DE REDAÇÃO DO MOMENTO ESPÍRITA
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O MEU REINO TEM MUITO A DIZER

1-O meu Reino tem muito a dizer: não se faz como quem procurou aumentar os celeiros bem mais e sorriu! Insensato, que valem tais bens, se hoje mesmo terás o teu fim? Que tesouros tu tens pra levar além? Sim, Senhor, nossas mãos vão plantar o Teu Reino! O Teu Pão vai nos dar Teu vigor, Tua paz!

2-O meu Reino se faz bem assim: se uma ceia quiseres propor, não convides amigos, irmãos e outro mais: sai à rua à procura de quem não puder recompensa te dar, que o teu gesto lembrado será por Deus!

3- O meu Reino - quem vai compreender? Não se perde na pressa que tem sacerdote e levita, que vão se cuidar... Mas se mostra em quem não se contém, se aproxima e procura o melhor para o irmão agredido que viu no chão.

4-O meu Reino não pode aceitar quem se julga maior que os demais, por cumprir os preceitos da lei, um a um; a humildade de quem vai além e se empenha e procura o perdão é o terreno onde pode brotar a paz!

5-O meu Reino é um apelo que vem transformar as razões de viver, que te faz desatar tantos nós que ainda tens... Dizer SIM é saberes repor tudo quanto prejuízo causou, dar as mãos, repartir, acolher, servir!
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Letra: José Thomás Filho & Música: Fr. Fabreti, OFM
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

EM ALGUM LUGAR DO ARCO ÍRIS

Entre as cores e matizes azulados
Eu estou sempre a te acenar.
Sou o mesmo que sempre te amou,
o teu único e eterno namorado

Meus caminhos estão além da linha do horizonte
e assim como tu, eu sou viajante do tempo.
Nas faixas coloridas do arco-íris
criei jardins, onde cultivo perfumadas rosas,
são todas para ti, minha única e eterna namorada

Muitas vezes eu estou, nas trilhas alaranjadas
pegando estrelas cadentes, faiscantes, nacaradas.
E quando em tua janela à noite sonhas acordada
lanço-as ao infinito, para iluminar os teus olhos,
e pronuncio o teu nome, minha eterna namorada

Sempre ao cair da tarde, eu estou nas faixas prateadas
Por detrás de brancas nuvens me escondo,
para em ti pensar, e vejo-te no reflexo de um cristal
tão linda e serena a caminhar, tão perto...
ah minha doce namorada, não ouves o meu sussurrar

E nas curvas do arco-íris eu me faço de artista,
e sou do céu um pintor, misturo as cores mais belas
pinto as paisagens mais lindas, são sonhos em aquarela,
que daqui sempre te envio, com toques do meu amor

Em algum lugar do arco-íris, fiz de um colorido espaço
a minha provisória morada, somente para contigo sonhar
Ah... minha eterna namorada

Um dia, com hora marcada, eu sei que vais viajar
e seguir por certa estrada, ao encontro do infinito
sem limites de horizontes, como estrela itinerante
um ponto de luz, um brilhante, dimensões vais transpassar

E quando esse dia chegar numa esquina do arco-íris
sei que vais me encontrar, de asas e braços abertos
para forte te enlaçar, num abraço há muito esperado
que em cores retratei e emoldurei num quadro
que está sempre pendurado num cantinho do meu céu.

De lá seguiremos viagem, e o arco-íris vamos atravessar
num vôo rumo as estrelas: o retorno ao nosso lar

Enquanto espero esse dia, estou sempre a te lembrar
Peço que nunca te esqueças:
em algum lugar do arco-íris
ficarei a te esperar.

TEU ANJO
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TAHYANE RANGEL
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VIDA ALÉM DA MORTE

O medo da morte já fez com que muita gente perdesse a alegria de viver. E, até recentemente, as correntes religiosas, filosóficas e científicas dominantes pareciam ter pouco a oferecer a essas pessoas angustiadas. Para as gerações mais velhas, era melhor nem pensar na morte. Pois o que isso trazia à memória eram as aulas de religião da escola primária, com suas descrições apavorantes do inferno e do purgatório, ou os livros materialistas lidos na adolescência, nos quais toda a consciência se extinguia com o último suspiro. Entre os cenários punitivos e a falta de qualquer perspectiva, havia pouco espaço para o conforto e a esperança.

Os jovens de hoje têm o privilégio de respirar uma atmosfera bem menos opressiva. Graças ao fantástico progresso dos procedimentos médicos e das técnicas de reanimação, cada vez mais pessoas vêm sobrevivendo a episódios de morte clínica (caracterizados pela parada cardíaca). E os relatos que muitos fazem dessas situações-limite, daquilo que viram, ouviram e sentiram na trajetória interrompida para o "lado de lá", apresentam uma nova visão da morte e da própria vida. Em lugar da angústia de caminhar para o completo aniquilamento, eles falam da certeza absoluta de que estavam apenas transitando de um plano a outro da existência. E, embora alguns reportem vivências aflitivas, talvez provocadas por memórias carregadas de culpa, a maioria descreve extraordinárias experiências de luz e plenitude, sábias reavaliações dos momentos vividos, encontros com seres carregados de compreensão, compaixão, amor e até mesmo bom humor.

Nos Estados Unidos, essa vivência incomum foi batizada com a sigla NDE, formada pelas iniciais da expressão Near Death Experience - Experiência Próxima da Morte, às vezes também traduzida como Experiência de Quase-Morte. Desde a década de 70, ela vem sendo estudada, com todos os requintes do método científico, por médicos, psiquiatras, psicólogos e tanatólogos - como são chamados os pesquisadores do fenômeno da morte. E foi feito até um levantamento de todos os casos de NDE registrados no território americano. Segundo essa enquete, realizada pelo Instituto Gallup, 5,2% da população adulta dos Estados Unidos já passou por esse tipo de experiência. Em números atuais, essa porcentagem corresponde a aproximadamente 13 milhões de indivíduos.

No Brasil, a psicanalista paulista R. L., 46 anos, é uma das muitas pessoas que chegou ao limiar da morte com a consciência plenamente desperta. Sua história inspirou as imagens que ilustram a abertura desta reportagem. A experiência ocorreu há 18 anos, quando um abcesso provocou em seu organismo uma infecção generalizada. Sua condição física deteriorou-se rapidamente e a pressão arterial encostou em zero. Na UTI, R. L. sentiu-se desfalecer. "Tive a impressão de que minha 'imagem' saía fora do corpo. Ela mantinha minha forma corpórea, mas era semitransparente. Meu pensamento acompanhava essa 'imagem', que flutuava perto do teto. De lá, eu via meu corpo. Porém já não o sentia mais".

Ao se desapegar do corpo, R. L. percebeu-se entrando num túnel, em fantástica velocidade. "Havia um forte zumbido. À medida que eu avançava, vinham-me imagens de meu passado remoto, dos tempos de criança. Eram cenas comuns, brincadeiras infantis. Ao mesmo tempo, uma voz interna, inaudível, me perguntava: 'O que você aprendeu com isso? Valeu a pena?'. Eu experimentava uma incrível sensação de leveza, de paz e de felicidade".

Em determinado momento, R. L. lembrou-se de que vinha atendendo, como psicanalista, um garoto muito pobre. Era um caso grave, ao qual se dedicou de corpo e alma, recebendo por isso pagamento puramente simbólico. Então, ela afirmou: "Ajudei essa pessoa". Como se quisesse dizer: "Será que isso conta ponto a meu favor?". E a voz perguntou-lhe: "Você aprendeu com isso?". "Muito", ela respondeu. Ao que a voz concluiu: "Então valeu a pena, para você". R. L.

sentiu-se imensamente tranqüilizada. Ela compreendeu qual era o verdadeiro sentido daquele diálogo. "Não era cobrança ou julgamento moral, mas uma avaliação tranqüila". Enquanto contemplava imagens há muito tempo esquecidas, R. L. deu-se conta de que o túnel em si era escuro, com as paredes desfocadas pelo excesso de velocidade. Mas, na saída, havia uma luz de intensidade indescritível. "Naquela luz, vislumbrei um jardim. E, ao deixar o túnel e entrar nele, vi que era muito espaçoso, com gramados verdes e árvores enormes. A sensação que ele transmitia era tão pacífica, tão deliciosa, que eu jamais ia querer sair de lá. No jardim, percebi um banco, com três pessoas sentadas. Não consegui ver seus rostos, mas, à medida que fui me aproximando, elas começaram a se movimentar, como que para me receber. A primeira chegou perto; a segunda, até o meio do caminho; a terceira ainda permanecia sentada".

Mas o processo foi bruscamente interrompido. Porque, enquanto enxergava o jardim e as três pessoas, R. L. continuava visualizando as imagens de sua vida.

E, de repente, viu uma foto onde apareciam seus dois filhos mais velhos, que, na época, ainda eram bebês. "Nesse instante, eu gritei: 'Não posso morrer! Tenho dois filhos pequenos e eles precisam de mim!

'". Voltei a crer em Deus. Foi a primeira vez, durante toda a experiência, que lhe veio a idéia de morte. "Eu não tive medo, mas o amor por meus filhos me puxou imediatamente de volta. Senti como se levasse uma pancada na cabeça. Abri os olhos e me vi outra vez em meu corpo, na UTI. A partir daí, minha pressão subiu e eu pude ser operada". Como já aconteceu com muitas outras pessoas, essa experiência trouxe para R. L. mudanças de vida radicais. "A principal foi que eu voltei a acreditar em Deus". Desde a adolescência, a psicanalista havia comprado a idéia de que Deus é uma invenção humana, destinada a compensar nossas fraquezas, medos e limitações. Depois de passar pelo que passou, ela compreendeu que há muito mais coisas entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia. "A segunda mudança importante foi em relação aos valores. Entendi que a gente está aqui para aprender, para evoluir, para se tornar uma pessoa melhor".

Maria Stella Santos Graciani, 49 anos, passou por experiência semelhante em março de 1986. Pedagoga e cientista social, ela é atualmente vice-diretora do Centro de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Há 12 anos, viveu um grave episódio de arritmia cardíaca, que provocou sua morte clínica. Na UTI, percebeu-se saindo do corpo. "Fui levada para dentro de uma turbulência circular". Era um túnel bastante escuro, no qual ingressou em alta velocidade. "De lá fui arremessada para um lugar intensamente iluminado. Não havia nenhuma paisagem, nenhum cenário, só uma luz transcendental. Senti uma paz e uma tranqüilidade indescritíveis. E, quando estava imersa naquela sensação, vi duas figuras se aproximando. Eram duas figuras de luz. Eu não conseguia distinguir perfeitamente suas feições, mas percebi que um tinha barba e o outro usava um chapeuzinho na cabeça".

Maria Stella está convencida de que as aparições eram Jesus e São João Bosco, um padre e educador italiano do século passado que foi canonizado pela Igreja Católica. Com uma vida inteira dedicada aos pobres e marginalizados e às crianças abandonadas, Dom Bosco sempre foi o modelo que inspirou Maria Stella.

"Todo o meu trabalho como educadora se baseia em seu exemplo. Ao vê-lo em companhia de Cristo naquele mar de luz, senti um desejo imenso de encontrá-los.

Mas, quando estava quase chegando, eles fizeram um sinal para eu voltar. E, nesse mesmo momento, comecei a recapitular minha vida anterior e lembrei-me de minhas duas filhas, Graziela e Juliana. Retornei, então, pelo mesmo turbilhão.

Revi meu corpo na UTI e os médicos fazendo um esforço desesperado para reanimá-lo. Senti um tranco e ouvi um dos médicos dizer: ela está viva".

Como aconteceu com R. L., Maria Stella foi profundamente afetada pela experiência. "Voltei à vida com uma força incrível: estou muito mais criativa, realizo várias atividades ao mesmo tempo, quase nunca me canso e consigo me lembrar das coisas nos mínimos detalhes. Também aumentou muito o meu amor pela humanidade, o meu compromisso com os pobres e marginalizados. Passei a dedicar minha vida às crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social: crianças aidéticas, prostituídas, analfabetas, excluídas da sociedade. A elas, todo o dia, eu desejo um bom dia. E, ao fazer isso, sinto-me em estado de graça".

O que mais impressiona nas experiências próximas da morte é a semelhança dos relatos. Embora não haja uma só narrativa que seja rigorosamente igual a outra, a grande maioria segue um roteiro básico, cuja incidência desafia qualquer tentativa de qualificar essas vivências como meras alucinações.

Da parada cardíaca ao final da reanimação, tal roteiro obedece, em linhas gerais, a dez etapas bem delimitadas:

01 - A pessoa sente-se d
esprender do corpo e, nesse momento, cessa todo o desconforto, a dor e a aflição que a acompanhavam;

02 - Uma forma semelhante ao corpo, porém mais sutil, passa a flutuar alguns metros acima do chão. A consciência individual da pessoa mantém-se ligada a essa forma e, do alto, observa o corpo inerte lá embaixo;

03 - A consciência registra todas as imagens e sons do ambiente. Caso se trate de uma UTI, ela pode ver e ouvir o funcionamento dos aparelhos e o esforço da equipe médica envolvida na reanimação do corpo;

04 - Num dado momento, a consciência desinteressa-se por essas informações e, mudando o seu ângulo de visão, percebe a existência de um vórtice ou túnel, que a atrai com uma força irresistível;

05 - A forma-consciência penetra no túnel e desloca-se através dele numa velocidade estonteante. Um forte zumbido, difícil de qualificar, acompanha o deslocamento;

06 - Enquanto se desloca, a pessoa recapitula criticamente sua vida. As memórias que emergem dificilmente seriam consideradas importantes num estado ordinário de consciência. Revelam-se, no entanto, altamente significativas, no contexto da avaliação. A experiência inteira não obedece aos padrões usuais de espaço e tempo. Toda uma existência pode ser rememorada em poucos segundos;

07 - No final do túnel, a consciência percebe uma luz, cujo esplendor não tem paralelo com nenhum fenômeno luminoso do mundo material. Essa luz lhe transmite uma extraordinária sensação de paz, plenitude e felicidade. Ela quer ingressar na luz e de forma alguma deseja regressar ao corpo físico;

08 - A súbita emergência de uma memória específica interrompe o processo. A pessoa se lembra de entes queridos ou de alguma outra questão pendente em sua vida;

09 - Ela sente, então, uma forte pancada. E a forma-consciência se reacopla ao corpo físico;

10 - O quadro clínico da pessoa sofre uma súbita e inexplicável melhora.

Esse roteiro básico pode ser enriquecido pela descrição de cenários deslumbrantes, como o jardim visto por R. L. na outra extremidade do túnel. Por comunicações com parentes e amigos falecidos. Ou pelo encontro com seres de luz, que transmitem à pessoa um sentimento de amor incondicional.

Em determinados relatos, esses seres são descritos como anjos ou guias. Em outros, são associados às figuras de santos, profetas, grandes mestres espirituais ou avatares (manifestações divinas). No caso dos anjos ou guias, algumas pessoas afirmam que os viram antes mesmo de sair do corpo físico, ou pouco depois de fazê-lo, e que foram conduzidas por eles ao longo de toda a experiência. Já as outras manifestações ocorreriam principalmente depois da travessia do túnel.

No campo da psicologia, tais idéias não deveriam provocar grandes surpresas, pois um dos papas da área, o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), vivenciou fantástica experiência visionária após sofrer um enfarte cardíaco. Em estado de coma, ele viu-se fora do corpo e do próprio planeta. "Parecia-me estar muito longe, no espaço cósmico", relatou anos depois. "Abaixo de mim, eu via o globo terrestre, banhado por uma maravilhosa luz azul. Justamente sob os meus pés estava o Ceilão (Sri Lanka) e, na minha frente, estendia-se o subcontinente indiano". Mais tarde, Jung informou-se a que distância da Terra deveria estar para visualizar tal amplidão: cerca de 1.500 quilômetros. Numa época em que os aviões não ultrapassavam a altitude de 10 quilômetros, essa visão era inimaginável. Ela só se tornaria acessível à humanidade no início dos anos 60, com os primeiros vôos espaciais tripulados. Após um momento de contemplação, o psiquiatra virou-se. Algo de novo surgiu em seu campo visual.

"A uma pequena distância, percebi no espaço um enorme bloco de pedra, escuro como um meteorito, quase do tamanho de minha casa"

. Escavado na rocha do meteorito, havia um templo semelhante a muitos que existem na Índia. "Uma entrada dava acesso a um pequeno vestíbulo. À direita, sobre um banco de pedra, estava sentado, na posição de lótus, completamente distendido e repousado, um indiano de pele bronzeada, vestido de branco. Esperava-me sem dizer uma palavra. À esquerda, abria-se o portal do templo. Vários nichos, cheios de óleo de coco, em que ardiam mechas, cercavam a porta com uma coroa de pequenas chamas claras". Enquanto chegava perto do meteorito, o psiquiatra sentiu que tudo o que ele tinha sido até então se afastava dele ou lhe era arrancado. Ao mesmo tempo, tinha certeza de estar se aproximando do lugar onde iria encontrar o grupo de seres humanos ao qual realmente pertencia e onde seriam respondidas as grandes perguntas pendentes de sua vida. Enquanto pensava nessas coisas, um fato atraiu sua atenção: lá de baixo, da Europa, ergueu-se uma forma. Era seu médico, ou melhor, a forma dele, circundada por uma corrente de ouro. "Quando ele chegou diante de mim, pairando como uma imagem nascida das profundezas, produziu-se entre nós uma silenciosa transmissão de pensamentos".

Seu médico fora delegado pela Terra para trazer-lhe uma mensagem: ele devia retornar. "No momento em que percebi essa mensagem, a visão desapareceu". Jung saiu do coma e, em três semanas, recuperou-se totalmente. Mas essa experiência marcou-o para sempre: entre outras lições, ficou a certeza de que tudo o que valorizamos como sendo a vida é apenas um pequeno fragmento da existência.

Visões tão poderosas como esta explicam por que as experiências próximas da morte ganharam as páginas de um sem-número de livros e inspiraram filmes de tanto sucesso, como Ghost e Linha Mortal. Porém, entre os milhares de casos registrados, é difícil encontrar alguém que tenha vivenciado mais de uma vez esse tipo de situação. Foi o que ocorreu com a psicóloga brasileira Ita Perla Wilde de Moraes, 41 anos. Com saúde frágil, ela passou por uma experiência próxima da morte em 1986, quando entrou em estado de coma durante a retirada de um cálculo renal e viu intensos focos de luz sobrenatural.

Em junho deste ano, Ita voltou a colocar os pés na estrada que leva ao "lado de lá". Um quadro de bronquite aguda fez sua pressão arterial subir a 23 por 18 e, desta vez, ela chegou a atravessar o túnel. Foi parar num espaço feericamente iluminado, onde uma voz masculina, ao mesmo tempo austera e suave, transmitiu-lhe uma mensagem pessoal precisa. "A partir daí, comecei a escutar, muito ao longe, a voz da minha irmã, me chamando. Ouvi também uma enfermeira dizer que a minha pressão estava cedendo". Dois dias depois, Ita teve alta.

Porém sua mais notável experiência visionária ocorreu entre esses dois episódios, logo após uma delicada cirurgia, que durou 12 horas. Ao ser retirada da sala de operação, Ita viu-se cercada por anjos. "Eles eram muitos, estavam envolvidos por uma espécie de névoa e sorriam. Aí aconteceu um fato engraçado.

Minha mãe estava ao lado e, quando me ouviu falar em anjos, achou que eu me referia ao enfermeiro que empurrava a maca. Agradecida, ela entregou a ele todo o dinheiro que tinha na bolsa".

Alguns médicos não pensariam duas vezes antes de rotular um caso desses como alucinação, provocada pela overdose de anestésicos tomados durante a cirurgia.

Esta é a interpretação-padrão e não resta dúvida de que realmente dá conta de vários episódios. Mas, como enfatiza o neurologista Roger Walz, pesquisador do Centro de Memória da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tal explicação de forma alguma esgota o assunto. "Devido à interrupção momentânea da irrigação sanguínea, associada ao uso de remédios durante as manobras de ressuscitação, podemos supor que a retomada das funções cerebrais seja acompanhada de distorções sensoriais", afirma o neurologista. "Isso explicaria fenômenos mais simples, como a visão de luzes e a audição de sons inarticulados, ou até mesmo certas alucinações. Porém, fenômenos mais complexos e cujos relatos se repetem, como por exemplo ver o corpo do lado de fora, continuam sem explicação do ponto de vista neurológico. Não creio que sejam sonhos, pois seria difícil o cérebro dedicar-se a uma função tão sofisticada num momento em que está entrando em colapso".

Foi uma vivência descrita como encontro com Cristo que inspirou o médico americano Raymond Moody a iniciar a mais célebre pesquisa das experiências próximas da morte, relatada no livro Life After Life (Vida Depois da Vida). O caso foi contado a Moody pelo psiquiatra Georges Ritchie, que, em 1943, quando ainda era um jovem soldado, sofreu uma severa pneumonia, teve picos de febre altíssimos e entrou em estado de coma. Horas depois de ter mergulhado na inconsciência, Ritchie acordou, levantou da cama e começou a percorrer os corredores do hospital. Mas descobriu que ninguém parecia ouvi-lo ou enxergá-lo. E mais: as pessoas atravessavam o que ele julgava ser o seu corpo sem a menor dificuldade. Espantado, ele voltou ao quarto e percebeu seu verdadeiro corpo estendido sobre o leito.

Nesse instante, uma luz extraordinária entrou em seu campo visual. Pouco a pouco, ele começou a divisar, nessa luminosidade, uma forma humana. E, quando sua consciência assimilou a percepção, Ritchie ouviu, dentro de si mesmo, uma ordem inquestionável: "Fique de pé, pois você está na presença do Filho de Deus". Anos mais tarde, ele disse a Moody que aquele não era o Jesus de seus livros de catecismo. "O Jesus desses livros era gentil, amável, compreensivo e talvez um pouco fraco. Aquele personagem era o próprio poder, mais idoso que o tempo e no entanto mais moderno que qualquer pessoa. O que emanava dessa presença era um amor incondicional".

Na frente dessa figura impressionante, o rapaz viu desfilar toda sua vida. E ficou muito embaraçado ao se deparar com as experiências sexuais da puberdade.

Mas aquilo não pareceu chocar nem um pouco o seu interlocutor. Este perguntou-lhe então: "O que você fez em sua vida que possa me mostrar". Sem conseguir encontrar nada que valesse a pena, Ritchie argumentou que não tinha o que mostrar porque ainda era muito jovem para morrer. Ao que o personagem replicou: "Ninguém é jovem demais para morrer, porque se trata apenas da passagem de uma realidade a outra". E levou-o para conhecer cinco dessas outras realidades. Depois de visitar mundos que jamais sonhou existir, Ritchie mergulhou outra vez na inconsciência. Enquanto isso, os médicos o davam como clinicamente morto. Inconformado, um médico residente resolveu fazer uma última tentativa e enfiou uma agulha hipodérmica no coração do soldado. O músculo voltou a bater.

O livro de Moody foi publicado pela primeira vez em 1975, com uma tiragem modesta de dois mil exemplares. Para surpresa do pesquisador e de seus editores, já foram vendidos mais de 14 milhões de volumes, em dezenas de idiomas diferentes. Sua investigação pioneira foi amplamente confirmada pelas criteriosas pesquisas de outros cientistas, como os cardiologistas americanos Maurice Rawlings e Michael Sabom. O curioso é que esses dois médicos não tinham até então qualquer interesse por temas espirituais e consideravam as descrições das NDE um mero sensacionalismo da imprensa. Porém, foram obrigados a rever tal ponto de vista ao se depararem com casos vivenciados por seus próprios pacientes.

Mas a prova mais conclusiva da veracidade das experiências próximas da morte foi fornecida pela pesquisa do pediatra americano Melvin Morse. Liderando uma equipe composta por um anestesista, um neurologista e um psiquiatra, Morse verificou que, depois de terem passado por episódios de morte clínica, também crianças, de diferentes idades, condições sociais e credos religiosos, descreviam vivências que seguiam o roteiro clássico das NDE. A investigação foi provocada por uma ocorrência excepcional, atendida por Morse. Trata-se do caso de Krystel Merzlock, na época uma menina de sete anos de idade. Após um afogamento, a garota teve parada cardíaca e permaneceu em condição de morte clínica durante nada menos de 19 minutos.

Segundo acredita a medicina, caso o coração fique três minutos sem bater, o processo de morte torna-se irreversível, porque as células cerebrais começam a ser destruídas por falta de oxigenação. Mesmo que o coração volte a funcionar, o cérebro sofre lesões irreparáveis. Pois bem, a despeito de todas as crenças oficiais em contrário, a pequena Krystel voltou à vida. E, o que é ainda mais extraordinário: sem qualquer seqüela neurológica.

Quando a interrogou, dias mais tarde, Morse descobriu que Krystel tinha perfeita consciência dos procedimentos utilizados durante a reanimação. Mas as surpresas do médico estavam só começando. Seu sistema de crenças seria ainda mais radicalmente posto à prova, quando Krystel lhe contou que fora levada por seu "anjo da guarda" à presença do "Pai Celeste". Este teria perguntado se ela queria ficar com Ele ou regressar para os pais. Num primeiro momento, a menina decidiu ficar, mas, depois de ter a visão de seus irmãos brincando, resolveu voltar para casa. Morse pôs-se a pesquisar as NDE infantis. Porém, apesar do insólito relato de Krystel, suas convicções cientificistas falaram mais alto e ele adotou a hipótese de que as percepções que acompanhavam essas ocorrências eram simples alucinações provocadas pelo coquetel de medicamentos ministrado aos pacientes e pelas substâncias que o próprio organismo libera na iminência da morte. A intenção de Morse e sua equipe era provar, cientificamente, que Raymond Moody estava errado. A pesquisa, porém, demonstrou exatamente o contrário. Depois de tabular e analisar 200 entrevistas, Morse concluiu que as experiências não poderiam, de forma alguma, ser reduzidas a meros episódios alucinatórios.

Enquanto os médicos abordavam o assunto por um lado, a psicologia se aproximava dele pelo outro. E, nesse campo, nenhuma contribuição se iguala à do psiquiatra tcheco Stanislav Grof. Durante 40 anos e trabalhando com dezenas de milhares de voluntários, ele realizou uma revolucionária pesquisa da mente. Num primeiro momento, recorreu a altas doses de ácido lisérgico (LSD) para provocar estados inusuais de consciência nas pessoas pesquisadas. Mais tarde, substituiu a droga por um método não químico, conhecido como respiração holotrópica. Neste, os participantes respiram de forma específica, enquanto ouvem músicas de alto poder evocativo e são submetidos, eventualmente, a certas intervenções corporais localizadas.

Após registrar e analisar meticulosamente os relatos de milhares de indivíduos, o psiquiatra convenceu-se de que nem o LSD nem a respiração holotrópica produziam alucinações. Eles atuavam, isto sim, como amplificadores da atividade psíquica, permitindo que conteúdos inconscientes se tornassem explícitos. E, entre esses conteúdos, estavam os cenários e roteiros descritos nas experiências próximas da morte. Em outras palavras, nos trabalhos coordenados por Grof e seus seguidores, muitas pessoas, plenamente vivas, tiveram as mesmas visões e sensações que caracterizam as NDE. E, o que é mais interessante: essas visões e sensações coincidiam, muitas vezes nos mínimos detalhes, com narrativas sobre o "além", sustentadas por diferentes tradições espirituais, mas que eram antes totalmente ignoradas pelas pessoas envolvidas no experimento.

A pesquisa de Grof reforçou a idéia de que as experiências visionárias próximas da morte não eram fantasias alucinatórias, mas expressavam algum tipo de contato com outros níveis da realidade. Esses mesmos domínios podiam ser visitados por pessoas vivas e saudáveis, em estados ampliados de consciência.

A pressa com que alguns cientistas descartam as experiências próximas da morte tem mais a ver com a defesa intransigente de um sistema de crenças do que com uma atitude realmente científica. Para esse tipo de mente positivista, que só acredita no que os olhos vêem, certos relatos apresentam talvez um desafio insuperável. É o caso deste episódio, levantado por Raymond Moody. Uma paciente, de nome Maria, é declarada morta. Após a reanimação, seu coração volta a bater. Ela recobra a condição de falar e conversa com Kim, a médica que a atendeu. Diz-lhe, então, que, durante a saída do corpo, sua forma-consciência flutuou pelo hospital e encontrou um sapato velho no batente da janela de um andar mais alto. Muitos especialistas simplesmente encarariam Maria com um sorriso incrédulo, pensando consigo mesmos: "Pobrezinha, alucinou". Kim, porém, resolveu conferir. O sapato estava lá.

O teólogo Leonardo Boff A morte não é um fenômeno pontual. É um processo. Se as pessoas voltam é porque esse processo não se concluiu. Mesmo assim, há o desprendimento parcial, com enorme alargamento da consciência e o encontro com um mundo que já pertence ao divino. A morte em nossa cultura constitui um trauma terrível, porque é sempre entendida como negação da vida. Porém, nessas experiências, o que se vê é a ampliação da vida, o acesso a uma dimensão da qual as pessoas só retornam com muita relutância. Na própria morte dá-se a ressurreição. Não como devolução à vida. Mas como realização plena das virtualidades do ser humano. Leonardo Boff é teólogo católico e escritor. É autor, entre outros livros, de Vida para Além da Morte.

O rabino Nilton Bonder Trabalhei em hospitais, com doentes terminais, nos Estados Unidos. E presenciei várias situações dessas. O que mais impressiona é a euforia com que as pessoas relatam suas experiências. Eu acho que, nessas ocasiões, elas realmente fazem contato com a verdadeira natureza humana, com a fonte da existência. Mas não têm, necessariamente, uma visão objetiva. Porque há também um aspecto onírico, alucinatório, causado pela intoxicação do corpo. Para o judaísmo, a morte é um longo processo, que dura 11 meses. Segundo a mística judaica, a alma possui sete camadas e a morte só se completa quando a mais sutil delas finalmente se desprende do mundo físico. Nilton Bonder é rabino da Congregação Judaica do Brasil e escritor. É autor, entre outros livros, de A Alma Imoral.

O budista Ricardo Gonçalves No budismo, existe uma tradição, segundo a qual, se a pessoa estiver preparada, um ser de luz, o Buda Amida, se manifesta a ela na hora da morte, para conduzi-la ao paraíso, a Terra Pura. Tanto o Buda Amida quanto a Terra Pura devem ser entendidos como metáforas, pois, no budismo, nada tem existência objetiva. Tudo é metáfora. O Buda Amida representa a plenitude da sabedoria e da compaixão e a Terra Pura é uma representação do Nirvana. A crença na manifestação do Buda inspirou toda uma literatura sobre a arte do bem morrer.

As principais técnicas preconizadas por essas obras são a visualização da Terra Pura e a recitação do nome de Amida. Ricardo Gonçalves é monge budista da Verdadeira Escola da Terra Pura e historiador. É autor, entre outros livros, de Textos Budistas e Zen-budistas.

O espírita Antonio Cesar Perri de Carvalho Nas experiências próximas da morte, o espírito ganha uma emancipação parcial, semelhante à que ocorre em certos sonhos. Os relatos sobre a travessia do túnel coincidem inteiramente com o que dizem os espíritos psicografados pelo médium brasileiro Francisco Xavier. A visão da luz sobrenatural não significa que o espírito esteja entrando em contato com Deus ou com seres altamente iluminados.

Ela apenas assinala seu ingresso num outro domínio da existência, a dimensão incorpórea. Os cenários vistos nesse domínio concordam inteiramente com as descrições do mundo espiritual fornecidas pelo visionário sueco Emanuel Swedenborg (1688-1772). Antonio Cesar Perri de Carvalho é presidente da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo e professor. É autor de Entre a Matéria e o Espírito.
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JOSÉ TADEU ARANTES- REVISTA GALILEU
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